“O Dilema dos Sites de Colecionismo no Brasil…”

Motivado pelo artigo o que meu amigo Jhonathan Martinelli escreveu recentemente sobre o “colecionador camaleão” (leia aqui) e, também, por uma conversa que tivemos na última semana, resolvi me aventurar a escrever um pouco sobre aquilo que vejo, em especial, nos veículos de informação voltados ao colecionismo aqui no Brasil.

Como muitos de vocês já estevem dar cansados de ler, eu fundei o site ToyReview.com.br no final de Dezembro de 2011, com o propósito de tentar cobrir, ou preencher, parte dessa enorme lacuna editorial que os colecionadores tinham no Brasil. Com o Facebook ainda engatinhando em nosso país, sem publicações especializadas, os praticantes desse hobby tinham como alternativa, apenas alguns fóruns que, muitas vezes, só replicavam a informação – em seu idioma original – do site dos fabricantes.

Análises de peças, só as em inglês no YouTubeéramos, enfim, reféns de imagens de divulgação dos fabricantes, cheias de Photoshop que não eram condizentes com o produto final e, como nem todas as cidades tinham lojas onde pudéssemos visitar e ver a peça “cara a cara” antes de clicar no botãocomprar” nos sites de lojistas – fossem brasileiros ou internacionais. Nesse contexto, então, vinha ao mundo um site com a proposta de esclarecer, elogiar o que era bom e, mais ainda, criticar ferrenhamente o que era ruim… e se você fosse um fabricante esperto, tomaria isso como uma oportunidade de ouvir o que os colecionadores falavam e aprimorar-se, caso contrário, era só continuar com os olhos fechados.

E por qual razão fiz toda essa digressão? Simples. Gerar conteúdo próprio demanda tempo, dinheiro, atenção… é sob os olhos do dono que o porco engorda, correto? Além de tudo aquilo que listei anteriormente, gerar conteúdo próprio é extremamente chato e frustrante! Você investe em equipamentos, aprende a editar imagens e videos, cria um bom site, divulgação, domínio, escreve por horas e horas e, na maioria das vezes, nunca vão ler aquilo… mas você faz pela paixão. Pela simples possibilidade de poder ajudar a abrir os olhos de outros colecionadores, evitando que eles caiam nas mesmas armadilhas que, um dia, vocêcaiuNão espere pelos “louros da vitória”… é uma seara ingrata e tortuosa a ser trilhada.

Justamente devido a toda esta trabalheira mencionada acima é que muitos sites optam pelo caminho mais fácil. Buscando uma maneira de se aproximar dos colecionadores, somos arrebatados, diariamente, com uma enxurrada de novos veículos sobre o tema que, ao meu ver, estão fadados a se enquadrarem em dois tipos (e por que não, estereótipos):

O “Tradutor”

Não é preciso saber outro idiomamuitas vezes, apanham do próprio idioma nativo, assassinando o português – o deus Google vai salvar a todos! Basta copiar o texto, colar na ferramenta de tradução e, depois, sair replicando a informação sem nexo em todas as comunidades do Facebook, Site, Blogs, Twitter e grupos do Whatsapp.  É a Torre de Babel dos tempos modernos. Mas, em dado momento, as notícias dos sites estrangeiros também diminuem seu ritmo ou cessam no “entrefeiras”, e , o que fazer? É o que nos leva ao nosso segundo tipo

O “Rabo-preso”

Sem ter mais o que traduzir e sem capacidade (seja intelectual ou financeira) de gerar conteúdo própriovende-se a alma ao Diabo! E isso me remete a dois conceitos os quais vi na faculdadeAgenda Setting, define-se a agenda de assuntos a serem abordados e essa agenda tende a vigorar, em média, por quinze dias, depois, troca-se a pauta novamente. Querem um exemplo? Quando todo mundo começar a falar, única e exclusivamente de um evento, tal qual veremos na época que iniciar a Comic Con Experience (CCXP). Segue-se a isso o segundo conceito, o de Espiral do Silêncio onde, caso você não esteja discutindo os assuntos listados dentro do Agenda Setting você seráposto de lado”, ninguém vai te ouvir, você será ignorado. Talvez, por essa razão, tenhamos presenciado tantos sites rasgando elogios em análises sem profundidade, com conteúdo zero que ajude na escolha/decisão de compra de um colecionador,  denotando qualidade duvidosa e que soam mais como um ritual de bajulação, do que como um veículo de informação que tenhaculhõesexpondo sua opinião, para o bem ou, para o mal. Criticar é precisopositiva e negativamente.

Então, qual o caminho correto a trilhar? Encarar o desafio e assumir o ônus de ter opinião própria ou continuar vivendo  como “papagaio de pirataesperando as migalhas e vendendo-se aqueles que lucram com a falta de esclarecimento de alguns?

Eu já fiz minha escolha, e você? Minha alma não tem preço.

 

Leave a reply