Não sei bem se é devido a volta de Arquivo X as telas, mas nas últimas semanas tenho visto uma série de “Teorias da Conspiraçãosaindo das sombras. Que fique claro a todos aqueles que aqui vierem bradar sobre qualidade das figuras do fabricante, o texto não é sobre isso, sugiro que não prossiga com a leituraentendo que esse problema foi “superadoapós o fiasco e inúmeras reclamações sobre a qualidade do Iron Man Mark 42 Legacy Replica – uma pedra já foi posta sobre essa lápide. Caso tenha a mente aberta a outros temas, siga acompanhando os fatos aqui listados e tirem suas próprias conclusões.

Como usei o gancho do antigo caso do Iron Man, desde a época do ocorrido, notou-se que a empresa tinha um problema consistente e nítido com pós-venda (e críticas negativas). Problema esse que pode ser facilmente contornado devido a curva de aprendizado – uma vez que se era um “recém-chegado” nesse nicho. Águas passadas, mas traumas não necessariamente, superados. Na mitologia, temos o famosoCalcanhar de Aquiles”. Ao que parece, a Iron Studios encontrou sua “Base de Aquiles”. Primeiramente, tivemos o estranho fato onde as bases do Magneto Battle Diorama em escala 1/6vinha com o nomeWolverinegrafado, ao invés do nome do personagem. Posicionamento do fabricante? “Isso se deve a questões legais/contratuais e a licença que possuímos só permite a utilização de determinado logo…”. Hum, OK, mas me soa no mínimo esquisito negociar a licença de uso de imagem desvinculada da do uso do nome. Segue o jogo. Ou melhor, seguia.

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No último mês, muitos compradores estrangeiros (e tupiniquins) começaram a receber em suas casas o tão aguardado Captain America em escala 1/4apresentado durante o evento Era de Ultron da Iron Studios em abril de 2015. Peça muito bem trabalhada, mas vejam só que fantasma volta a assombrar essa morada, a base! Diversos compradores receberam a base quebrada (possivelmente devido a um erro de projeto no condicionamento da parte dentro do isopor, que levava a peça a quebrar durante o transporte).

E que começou a “dor de cabeça”. O fabricante não dispunha de peças de reposição e as vendas começaram a ser desfeitas. Posicionamento do fabricante? Devolução do dinheiro pagoeconomicamente e moralmente justo, porém, posicionamento extremamente frustrante para um colecionador que esperou quase 9 meses (vejam só, uma gestação!) ansiosamente para ter a peça em sua casa. Resultado? Vendas e mais vendas sendo desfeitas, inclusive aquelas realizadas por compradores brasileiros que viam como uma mina de ouro, revender essas peças ao mercado, em especial, norte-americano (obviamente, impulsionados pelo momento propício do dólar americano frente ao nosso fraco real, alavancando seus ganhosnada mais justo, comercialmente falando). E nem vamos entrar no mérito do repasse da variação cambial, isso é assunto para outro tópico. Depois de muito empurra-empurra, deu-se a entender que a empresa começou a repor as peças danificadas. Panos quentes.

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E não é que, enquanto muita gente pulava o carnaval, começaram a pular também, no Facebook e sites estrangeiros, uma série de postagens sobre, adivinhem, problemas com a base do Captain America. E qual era o problema dessa vez? Bom, originalmente quando o produto foi anunciado, a sua tiragem seria de 400 peças produzidas (salvo engano, a priori seriam 300, mas como a demanda foi significativa, aumentaram-na em 100 peças). Quando um colecionável é vendido como “série limitada” e “numeradaisso causa um grande impacto em seu preço, pois traz à tona, além dos preciosismos de alguns colecionadores (que preferem numerações mais baixas) a questão de “exclusividade”. Muitos colecionadores investem seus recursos na aquisição dessas peças, sendo parte do prazer da coleção, ter a garantia de que apenasXpeças foram produzidasbom, era o que esperávamos. Não foi o que aconteceu. Sem maiores explicações, apareceram mais 181 peças produzidas – o que diminui o conceito de “exclusividade”.

Business are Business, não vejo maiores problemas se a fabricante tivesse informado aos consumidores que produziria um segundo (terceiro ou quarto) lote de peças, e de que a numeração continuaria de maneira sequencial, não mais indo de 001 a 400, mas sim de 001 a 581 (colocando em números, isso indica um aumento de 45% na série originalmente divulgada). Mas é que começa a grande incongruência. Sei que é um exemplo imbecil, mas:  você é um colecionador de obras de arte e compra um “Monetoriginal. Semanas depois, descobre que aquele seu “Monetexclusivo tem um “Irmão Gêmeo”, ali do lado, cruzando o oceano. O que você faria, se aquele seu quadro exclusivo, não fosse tão exclusivo assim e você, a partir daquele momento, não conseguisse mais provar sua autenticidade?

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Agora, não temos mais um “Captain America 001“, mas sim, dois! E assim vai até o número 181. Essa é uma atitude, no mínimo, desrespeitosa para com os colecionadores que compram itensexclusivos”. Já vi muitas fabricantes relançarem determinada peça, mas sempre com avisos prévios (que, invariavelmente, desaquecem o mercado para a peça anterior, muitas vezes a desvalorizando). Esse é o primeiro caso explícito de uma fabricação com numeraçãosimilar” e “simultânea”. Posicionamento do fabricante? Quando questionado em sua página oficial do Facebook, novamente mencionou “questões legais/contratuais” impostas pelo licenciador do produto. Logo, entendo que esse mesmo licenciador trabalha, também,  com outros fabricantes, mas nenhum desses fabricantes adotou essa postura. Curioso. Sabe aquele sentimento de que “algo não faz sentido no quebra-cabeças”? O desrespeito nesse caso aqui citado, foi não só para com o comprador nacional, mas também para com o comprador estrangeiro. Fomos todos incitados a acreditar em um número que não se sustenta. Um númerovirtual”, que pode ser moldado e a regra do jogo alterada no meio da partida pelo fabricante.

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Confesso ainda não entender a lógica adotada pelo fabricante com essa postura. Qual o limiar onde o desejo de crescimento de uma empresa esbarra no respeito aos seus consumidores? Sigo aguardando um comunicado oficial do fabricante sobre o ocorrido, trazendo luz a todas essas questões, no mínimo, tenebrosas. Até o momento, só quem perde somos nós, colecionadores.

Repito a pergunta feita pelo nosso amigo colecinador estado-unidense: como colecionador, como você se sente quanto a isso?

 

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